Pequenos grupos humanos foram se adaptando aos diversos ambientes em formação no território brasileiro, como o cerrado, a mata atlântica, a floresta amazônica. Essa diversidade de ambientes foi ajudando a criar, cada vez mais, línguas e culturas que diferenciavam os grupos uns dos outros. E quando tudo isso aconteceu? Aconteceu no período seguinte ao Pleistoceno que é chamado pelos arqueólogos de Arcaico. E está compreendido entre 10 mil e 2500 anos atrás, aproximadamente. Foi nesse período que grupos humanos bastante distintos culturalmente foram se formando. O aumento do número de sítios arqueológicos datados desse período mostra o aumento da população, que ocorreu ao longo dos milênios.
Os povos que não utilizavam a escrita só podem ser conhecidos hoje por meio dos vestígios materiais que deixaram nos locais em que viviam. O sítio arqueológico é o que restou das coisas que as pessoas fabricaram e usaram ao longo de sua vida em um determinado lugar (panelas de cerâmica, restos de machado e outras ferramentas feitas de pedra, sinais de que fizeram roças e plantaram alimentos etc.).
Foi assim que surgiu uma grande variedade de recursos naturais que são utilizados até hoje pelos seres humanos.
Muitas pesquisas dizem que é provável que parte do que conhecemos como "natureza selvagem amazônica" tenha sido produto de milhares de anos de manejo de recursos naturais por parte das populações indígenas da região. Pode-se dizer o mesmo de outras regiões do Brasil. Manejar é cuidar de um recurso natural (uma planta, por exemplo) de forma que ele não acabe e que possa ser usado sempre.
E a domesticação de animais? Aconteceu na região da cordilheira dos Andes, mas não no território que veio a ser o Brasil.
Os sítios arqueológicos mais conhecidos do litoral são os sambaquis, sendo a maior parte deles datados entre 4 e mil anos atrás. Sambaqui em Tupi quer dizer "monte de conchas". São colinas formadas por conchas de moluscos consumidos por antigas populações.
Neles são encontrados também restos de esqueletos humanos, instrumentos de pedra lascada e polida, além de objetos feitos de ossos, dentes e conchas. Os sambaquis são encontrados desde o litoral do Nordeste, onde são raros, até o Rio Grande do Sul.
Os tamanhos dos sambaquis variam: desde pequenos montes de 10 metros de comprimento e 2 metros de altura, até verdadeiras montanhas de 500 metros de extensão e mais de 60 metros de altura.
Sim, mas somente aqueles que não foram destruídos pelas mudanças causadas pela subida do nível do mar. Os sambaquis mais antigos ficaram embaixo da água; restaram apenas uns poucos, localizados em áreas mais afastadas do litoral.
Elas desapareceram! Não se sabe ao certo porque, mas um dos principais motivos foi a chegada dos numerosos grupos falantes de línguas Tupi ao litoral, por volta de 2 mil anos atrás.
Esses povos viviam, principalmente, do cultivo de alimentos pelo sistema de coivara, que ficou conhecido popularmente como roça. Os alimentos cultivados eram a moeda de troca usada com os europeus para conseguir objetos que apreciavam, como machados, facas, tecidos, espelhos...
Primeiro derruba-se um trecho de mato, não muito grande. Depois de deixar o mato derrubado secar por um tempo, coloca-se o fogo, que limpa a área e a cobre de cinzas. Em seguida, faz-se uma limpeza na roça, tirando galhos e restos de árvores que não queimaram bem. Com as primeiras chuvas, planta-se na mesma roça diferentes espécies, como milho, feijão, mandioca, batata, cará. Esse é um jeito de garantir a fertilidade do solo e evitar pragas. Depois é só manter a roça limpa. Ainda hoje a coivara é uma técnica praticada em todo o território brasileiro. O impacto ambiental que esta técnica provoca é pequeno porque nunca se derruba uma área grande e, além disso, depois de alguns anos de uso, a roça pode ser abandonada e a floresta volta a crescer.
Os nomes de lugares é um bom exemplo para mostrar a expansão dos grupos Tupi. Há lugares com nomes em Tupi em distantes regiões do Brasil. Araraquara é um bom exemplo disso: é um nome de cidade no interior de São Paulo e de rio no extremo norte do Estado do Amazonas. Os vestígios arqueológicos mais importantes deixados por esses grupos foram restos de potes e tigelas de cerâmica encontrados nos locais das antigas aldeias.
Não. Na região que agora chamamos Planalto Central Brasileiro, viviam populações indígenas bem diferentes dos Tupi. Nessa região seca, formada por chapadas e serras, conhecida como cerrado, se formaram sociedades com costumes diferentes dos costumes Tupi. Falavam línguas do tronco Macro-Jê. Para saber o que é um tronco linguístico, veja Línguas indígenas.
A história da ocupação humana na Amazônia teve início há pelo menos 11 mil anos, num período em que as práticas de agricultura não haviam sido adotadas. Os dados disponíveis mostram que estes primeiros grupos tinham um modo de vida baseado na caça, pesca e coleta, e que domesticaram algumas plantas como a pupunha, o mamão, pimentas e a mandioca.
Restos de vasilhas de cerâmicas datados de 8 mil anos atrás foram encontrados ao longo do rio Amazonas e de seus afluentes (rios menores que contribuem para a formação de um rio maior), o que comprova a origem desta técnica. Essas evidências apontam para a existência de um estilo de vida adaptado ao ambiente de rio, rico para atividades de pesca, coleta e cultivo de diferentes recursos naturais. Essas populações ribeirinhas, isto é, que habitavam próximo a rios, cultivavam produtos como a abóbora, a mandioca e o milho.
Por volta de mil anos atrás, culturas muito complexas se desenvolveram ao longo do rio Amazonas. As culturas Marajoara e Tapajônica, com seus enfeites e cerâmicas muito bem-trabalhados, são exemplos da beleza das culturas amazônicas. Estas deram origem a algumas características das culturas dos povos da região da cordilheira dos Andes. Assim sendo, a Amazônia pode ser vista como berço de vários povos indígenas que, a partir dali, se expandiram e também conquistaram grande parte do que hoje é o Brasil.
Brasil 50 mil anos: Uma viagem ao passado pré-colonial (Guia temático para professores)
Programa de educação patrimonial do levantamento arqueológico do gasoduto coari-manaus (Guia temático)
Os índios antes de Cabral: arqueologia e história indígena no Brasil, do livro A temática indígena na escola: novos subsídios para professores de 1° e 2° graus (1995).