Pequenos grupos humanos foram se adaptando aos diversos ambientes em formação no território brasileiro, como o cerrado, a mata atlântica, a floresta amazônica. Essa diversidade de ambientes foi ajudando a criar, cada vez mais, línguas e culturas que diferenciavam os grupos uns dos outros.
E quando tudo isso aconteceu?
Aconteceu no período seguinte ao Pleistoceno que é chamado pelos arqueólogos de Arcaico. E está compreendido entre 10 mil e 2500 anos atrás, aproximadamente. Foi nesse período que grupos humanos bastante distintos culturalmente foram se formando. O aumento do número de sítios arqueológicos datados desse período mostra o aumento da população, que ocorreu ao longo dos milênios.
Houve um aumento gradual da temperatura e, por isso, muitas mudanças ocorreram no meio ambiente, transformando também a vida das populações que ocupavam o continente.
Dentre essas mudanças destacam-se a formação de grandes áreas de floresta, a mudança no regime dos rios, que passaram de temporários a perenes (não secam mais) e a formação e expansão de manguezais (vegetação própria de regiões de encontro do rio com o mar).
Foi assim que surgiu uma grande variedade de recursos naturais que são utilizados até hoje pelos seres humanos.
Muitas pesquisas dizem que é provável que parte do que conhecemos como "natureza selvagem amazônica" tenha sido produto de milhares de anos de manejo de recursos naturais por parte das populações indígenas da região. Pode-se dizer o mesmo de outras regiões do Brasil. Manejar é cuidar de um recurso natural (uma planta, por exemplo) de forma que ele não acabe e que possa ser usado sempre.
O maior conhecimento do meio ambiente fez com que essas populações crescessem e se modificassem. Aos poucos elas foram se espalhando por todos os cantos do Brasil. Por volta de 4 mil anos atrás não havia nenhum lugar que não tivesse sido ocupado por esses grupos de caçadores-coletores.
E a domesticação de animais?
Aconteceu na região da cordilheira dos Andes, mas não no território que veio a ser o Brasil.
A agricultura apareceu há cerca de 3 a 4 mil anos, no entanto foi a partir de 2 mil anos atrás que essa prática de subsistência foi difundida no território que hoje conhecemos como Brasil. O cultivo de plantas como o tabaco, o milho e a pimenta, existia em quase todo o continente americano à época da chegada dos europeus.
Um povo nômade é aquele que não tem uma habitação fixa, que vive mudando de um lugar para o outro.
Esses povos criaram aldeias e passaram a ocupar territórios extensos, com caminhos de ligação entre elas. A riqueza de recursos que o ambiente oferecia (fartura de plantas e animais, por exemplo), as técnicas que descobriram para estocar e guardar e as trocas de mercadoria e conhecimentos entre os povos possibilitaram um grande desenvolvimento. E as populações aumentaram, assim como os territórios que ocupavam.Os sítios arqueológicos mais conhecidos do litoral são os sambaquis, sendo a maior parte deles datados entre 4 e mil anos atrás. Sambaqui em Tupi quer dizer "monte de conchas". São colinas formadas por conchas de moluscos consumidos por antigas populações.
Neles são encontrados também restos de esqueletos humanos, instrumentos de pedra lascada e polida, além de objetos feitos de ossos, dentes e conchas. Os sambaquis são encontrados desde o litoral do Nordeste, onde são raros, até o Rio Grande do Sul.
Ainda existem esses grandes sambaquis?
Sim, mas somente aqueles que não foram destruídos pelas mudanças causadas pela subida do nível do mar. Os sambaquis mais antigos ficaram embaixo da água; restaram apenas uns poucos, localizados em áreas mais afastadas do litoral.
Elas desapareceram! Não se sabe ao certo porque, mas um dos principais motivos foi a chegada dos numerosos grupos falantes de línguas Tupi ao litoral, por volta de 2 mil anos atrás.
Primeiro derruba-se um trecho de mato, não muito grande. Depois de deixar o mato derrubado secar por um tempo, coloca-se o fogo, que limpa a área e a cobre de cinzas. Em seguida, faz-se uma limpeza na roça, tirando galhos e restos de árvores que não queimaram bem. Com as primeiras chuvas, planta-se na mesma roça diferentes espécies, como milho, feijão, mandioca, batata, cará. Esse é um jeito de garantir a fertilidade do solo e evitar pragas. Depois é só manter a roça limpa. Ainda hoje a coivara é uma técnica praticada em todo o território brasileiro. O impacto ambiental que esta técnica provoca é pequeno porque nunca se derruba uma área grande e, além disso, depois de alguns anos de uso, a roça pode ser abandonada e a floresta volta a crescer.
Os vestígios arqueológicos mais importantes deixados por esses grupos foram restos de potes e tigelas de cerâmica encontrados nos locais das antigas aldeias.
Falavam línguas do tronco Macro-Jê. Para saber o que é um tronco linguístico, veja Línguas indígenas.
Os sítios arqueológicos mostram que cerâmicas elaboradas foram produzidas nesse período.
A Amazônia, durante muitos anos, foi vista pelos estudiosos como um “deserto verde”, ou seja, era considerada um lugar onde não havia ninguém, só mata. Todos acreditavam que sua ocupação teria acontecido há pouco tempo e por um pequeno número de habitantes, mas estudos recentes apontam exatamente o contrário.
A história da ocupação humana na Amazônia teve início há pelo menos 11 mil anos, num período em que as práticas de agricultura não haviam sido adotadas. Os dados disponíveis mostram que estes primeiros grupos tinham um modo de vida baseado na caça, pesca e coleta, e que domesticaram algumas plantas como a pupunha, o mamão, pimentas e a mandioca.
Na Amazônia! Esta foi a área de origem e de expansão da produção de cerâmicas e outras técnicas importantes.
Restos de vasilhas de cerâmicas datados de 8 mil anos atrás foram encontrados ao longo do rio Amazonas e de seus afluentes (rios menores que contribuem para a formação de um rio maior), o que comprova a origem desta técnica. Essas evidências apontam para a existência de um estilo de vida adaptado ao ambiente de rio, rico para atividades de pesca, coleta e cultivo de diferentes recursos naturais. Essas populações ribeirinhas, isto é, que habitavam próximo a rios, cultivavam produtos como a abóbora, a mandioca e o milho.
Por volta de mil anos atrás, culturas muito complexas se desenvolveram ao longo do rio Amazonas. As culturas Marajoara e Tapajônica, com seus enfeites e cerâmicas muito bem-trabalhados, são exemplos da beleza das culturas amazônicas. Estas deram origem a algumas características das culturas dos povos da região da cordilheira dos Andes. Assim sendo, a Amazônia pode ser vista como berço de vários povos indígenas que, a partir dali, se expandiram e também conquistaram grande parte do que hoje é o Brasil.Museu de Arqueologia e Etnologia-MAE